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Dois grandes eventos marcam os 12 anos da maior chacina da Baixada Fluminense in memoriam das 29 pessoas mortas na noite de 31 de março de 2005: um Seminário e uma Caminhada.

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O Seminário acontecerá amanhã, quinta-feira, 30/11, no Cento de Direitos Humanos (CDH) de Nova Iguaçu a partir das 17h e tem como tema ‘As Execuções ontem e hoje na Baixada”.

Já na sexta-feira, 31/03, acontecerá uma caminhada em defesa da vida e pela memória dos mortos. A concentração será na Rodovia Presidente Dutra em frente a concessionária de carros Besouro a partir das 10:30. Haverá ato ecumênico e os participantes seguirão até o bairro Cerâmica onde aconteceram as primeiras mortes.

“Estamos fazendo isso para lembrar que as execuções continuam acontecendo. Queremos despertar a população para o fato de que não podemos nos calar. A denúncia é muito importante”, enfatiza Luciene Silva, mãe de Rafael, uma das vítimas.

Ela diz ainda que a sociedade precisa estar sempre alerta para esses crimes. Jovens continuam sendo executados todos os dias e as pessoas não podem se calar. No caso da chacina de 2005 todos os policiais denunciados foram julgados e condenados.

Os crimes ocorreram na noite de 31 de março daquele ano. Policiais à paisana e armados percorreram o bairro da Posse e a Rua Gama, em Nova Iguaçu, em um Gol prata e abriram fogo contra inocentes que cruzaram o caminho.

Depois, já na Rodovia Presidente Dutra, ainda no mesmo município, mataram mais duas pessoas. Ao todo, só em Nova Iguaçu, o grupo executou 17 vítimas.

Não satisfeitos, foram para Queimados. Em dois pontos da cidade, incluindo um lava-jato do Morro do Cruzeiro, mais 12 pessoas foram executadas com centenas de tiros.
Segundo o depoimento de uma testemunha-chave, a insatisfação com a linha-dura imposta nos batalhões após a troca do comando foi o estopim para a explosão de violência.

Meia hora antes do início da matança, dois integrantes do bando de policiais militares teriam reclamado das mudanças em um bar em Nova Iguaçu.

O comandante do 15º BPM (Caxias) na época, coronel Paulo César Lopes, havia prendido mais de 60 policiais por desvio de conduta. Dias antes do massacre, oito PMs do mesmo batalhão foram flagrados por uma câmera abandonando dois corpos degolados nos fundos do batalhão.

Em fevereiro de 2006, a juíza Elizabeth Machado Louro, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, admitiu parcialmente a denúncia e mandou cinco PMS para júri popular: os cabos Marcos Siqueira Costa e José Augusto Moreira Felipe e os soldados Carlos Jorge Carvalho, Fabiano Gonçalves Lopes e Júlio César Amaral de Paula.

Na ocasião, a juíza afirmou que os homicídios foram realizados por motivo torpe e com utilização de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Todos foram condenados.

Em outubro do mesmo ano, o PM Gilmar da Silva Simão foi assassinado com 15 tiros numa emboscada. Simão negociava delação premiada e tinha feito depoimentos importantes à Justiça sobre o caso. Ele era apontado pelo Ministério Público como peça-chave na investigação da chacina.

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Claudia Maria Santos
É jornalista do Portal de Queimados.