Queimados está entre os 75 municípios dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia que vão participar da campanha de emergência contra a febre amarela que acontecerá de 19 de fevereiro a 09 de março, com a versão fracionada da vacina, uma dose menor do que a costumeira, mas nem por isso menos eficiente.

Diante do noticiário sobre riscos de uma epidemia de Febre Amarela em nossa região, por conta da confirmação da morte de um macaco da Reserva Ecológica de Tinguá vítima da doença, tem aumentado de maneira significativa a procura da população aos postos de saúde do município em busca da vacina.

Até agora não houve nenhum caso registrado da doença em humanos. Mas, o risco é real.

Circula nesses dias nas redes sociais uma lista  indicando os dias da semana em que é feita vacinação contra febre amarela em Postos de Saúde do município de Queimados. Trata-se, no entanto, de uma lista distribuída em 2017 pela Secretaria de Saúde, válida para aquela ocasião.

A Secretária Municipal de Saúde, Dra. Liívia Guedes, ouvida pela nossa reportagem, esclareceu que no momento essa lista não está valendo, porque os Postos estão sem vacina.”O estoque está  baixíssimo e só estamos atendendo, neste momento, os casos de emergência, como pessoas que vão viajar para áreas de risco ou para o exterior”, explica a Secretária.

Segundo a Dra. Lívia, deverá chegar nova carga de vacina em Queimados na quarta-feira próxima, dia 17/01, o que vai permitir retomar o ritmo normal de vacinação.

Mas vacinação em massa propriamente dita, para atender a toda a população, só mesmo durante a campanha nacional que está prevista para fevereiro.

‘Não há, no momento, motivo para pânico no nosso município. Estamos monitorando dia a dia todas as contingências relacionadas à questão da Febre Amarela e não há registro de circulação do vírus no entorno dos nossos limites territoriais. No caso de alguma intercorrência que exija que a vacinação seja antecipada, isso será feito.”, afirmou a Dra. Lívia Guedes, visando tranquilizar a população.

SOBRE A DOSE FRACIONADA DA VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA

A aplicação de doses fracionadas da vacina é recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) quando há aumento de casos de febre amarela de forma intensa e é necessário conter a transmissão da doença em curto período de tempo.

Antes do Brasil, estratégia semelhante de fracionamento já foi utilizada em países como Angola e Congo, o que ajudou a interromper o surto nestes locais.

A diferença da vacina fracionada em relação à integral está no volume aplicado. Enquanto a dose padrão tem 0,5 ml, a fracionada tem 0,1 ml. Um frasco com cinco doses, por exemplo, pode vacinar até 25 pessoas.

O tempo de proteção também varia: enquanto a primeira protege por toda a vida, a segunda tem duração menor. Inicialmente, esse período era citado em até um ano. Porém, novos estudos feitos pela Fiocruz  mostram que a imunização já dura ao menos por oito anos. A instituição afirma que continuará a avaliar o tempo de proteção para definir se haverá a necessidade de aplicação de uma nova dose no futuro, por exemplo.

A aplicação da dose fracionada virá acompanhada de um selo específico, a ser colocado na caderneta de vacinação.

A vacina fracionada é recomendada acima dos 2 anos de idade. Idosos, porém, devem ter avaliação dos serviços de saúde, que irão verificar se há contraindicações à vacinação.

Alguns grupos continuarão a ter recomendação para receber a dose integral. É o caso de crianças de 9 meses a menores de dois anos, gestantes e pessoas com condições especiais –caso de portadores de HIV e pacientes que terminaram a quimioterapia. A justificativa é a ausência de estudos que mostrem a eficácia nestes grupos.

O Ministério da Saúde recomenda que gestantes que vivem em áreas onde há maior risco de febre amarela devem avaliar em conjunto com o médico os riscos e benefícios de tomar a vacina. Nessa avaliação, entram as condições de saúde da mãe, qual o trimestre de gestação, grau de exposição ao vírus, etc.

A vacinação a grávidas era totalmente contraindicada até o ano passado, quando alguns Estados passaram a permitir a imunização mediante avaliação médica nas áreas de maior risco. Nesses casos em que o médico achar que vale tomar a vacina, a dose deve ser a integral, e não a fracionado.

Quem planeja viajar a outro país também receberá a dose integral, desde que apresente o comprovante de viagem no momento da vacinação.

A vacina permanece contraindicada a pacientes imunodeprimidos e em tratamento de câncer e a pessoas alérgicas à proteína do ovo, devido ao risco de eventos adversos.

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