Faleceu na manhã deste domingo, 11/03, por volta das 09:15, aos 84 anos, dona Dalva Ferreira Martins , a ‘Tia Dalva’, como era carinhosamente chamada pelos amigos e admiradores, uma das mais importantes lideranças da luta pelos direitos das mulheres na Baixada Fluminense.

Tia Dalva estava bem de saúde até o início da semana passada quando começou a reclamar de dores e foi levada à Casa de Saúde N. S. de Fátima em Nova Iguaçu. Lá  foi diagnosticada com uma infecção urinária,  medicada e levada de volta pra casa.

No dia seguinte, terça-feira, 06/03, como os medicamentos não estavam fazendo efeito, foi levada para a emergência do Hospital das Clínicas em Mesquita, de onde foi removida, ontem, sábado, para o Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, onde veio a falecer esta manhã, em decorrência de uma parada cardíaca provocada por infecção generalizada.

 

Tia Dalva chegou a Queimados no final dos anos 50 e aqui trouxe ao mundo 16 filhos, dos quais apenas 7 (sete) estão vivos. Foi uma batalhadora incansável.  No final dos anos 70 fundou o Grupo Jovem da Igreja de N. S. da Conceição, que se reunia ali no salão dos fundos da velha igreja da Praça.

Ativista entusiasmada do movimento em defesa dos direitos das mulheres, Dalva Martins participou de lutas memoráveis como a campanha nos anos 80 pela criação da Delegacia Especializada de Atendimento às Mulheres na Baixada, que acabou sendo construída em Nova Iguaçu e foi uma das primeiras a entrar em funcionamento no  Estado do Rio de Janeiro.

Em 1987, Tia Dalva fundou o Movimento Comunitário das Mulheres de Queimados, que se reunia no salão da nova  Igreja de N. S. da Conceição, e iniciou uma verdadeira cruzada de combate à violência contra as mulheres, conscientizando e engajando dezenas de mulheres queimadenses nessa luta.

Tia Dalva com as filhas Santinha, Kátia, Sônia, Aninha e Terezinha

Embora esquecida pela história oficial do município, Tia Dalva foi também uma das principais ativistas do movimento pela Emancipação de Queimados, ao lado, do então seu esposo, Sr. Carlos, já falecido, que era quem abria e tomava conta do salão da Igreja N. S. da Conceição para as reuniões da emancipação.

O corpo de Tia Dalva começará a ser velado por volta das 19:30 deste  domingo numa das capelas do Cemitério Central de Queimados, onde será sepultado amanhã, segunda-feira, às 16:30.

Cantemos com o poeta: “Naquela mesa está faltando ela e a saudade dela está doendo em mim”.

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