Ficamos felizes ao ver que serão iniciadas obras de urbanização de nossa rua ou comunidade. Ficamos felizes. Depois de décadas, finalmente não iremos mais precisar calçar sacolas nos pés.

Contudo, não é difícil escutar de moradores de ruas recém-urbanizadas que “era melhor como estava antes, pois minha casa não enchia quando chovia”, ou coisa do tipo.

 

E por que isso? Muitas vezes, por questões de praticidade e velocidade, a empresa executora do serviço não considera a altura existente da rua para que o novo pavimento seja feito considerando a altura (soleira) das casas existentes. Com isso, as ruas urbanizadas ficam em torno de 40 a 50 cm mais altas em relação ao nível existente.

Para piorar a situação, as redes de coleta de esgotos – feitas geralmente em tubos de 150 mm de diâmetro – recebem também as águas pluviais das residências (as casas em sua maioria não tem separação entre rede de  esgoto e rede pluvial), acarretando sobrecarga nos tubos, completando o caos. A única solução que vejo para isso seria o aumento do diâmetro das redes de coleta de esgotos ou a construção de uma rede de coleta pluvial tipo condominial interligada nos PVs de drenagem (aquelas caixas de blocos construídas no meio da rua).

É certo dizer, entretanto, que em alguns casos não é possível deixar o pavimento na altura anterior (mas isso é muito raro). De qualquer forma, o rebaixamento da altura da rua existente proporcional às camadas de base e asfalto definidas no projeto são perfeitamente executáveis.

 

Engº Leandro Nunes Siqueira é membro do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia – IBAPE-RJ, Membro da Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança – SOBESRIO, Especialista em Engenharia do Meio Ambiente – UFRJ, Engenharia Diagnóstica em Edificações – PUC e Perito Judicial e Avaliador – PUC

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