Nessa última semana, os bastidores da política queimadense pegaram fogo. A vinda do Deputado Flávio Bolsonaro à Câmara de Vereadores para receber uma homenagem do vereador Elerson (PPS), movimentou diversos grupos e vertentes da cidade, que se manifestaram contra a concessão da outorga.
O movimento começou antes mesmo da solenidade. Em 4 de junho, foi publicado no Diário Oficial de Queimados, o decreto nº 419/2018 (29/05/2018) que daria, em sessão solene, o Título Honorífico de Cidadão Queimadense ao deputado pelos relevantes serviços prestados ao município. Desde então, grupos contrários à concessão da referida certificação, iniciaram um movimento nas redes sociais.
Mas não foram só os movimentos que se posicionaram contra esse título. A Coordenação Estadual do PPS Diversidade, com o apoio da coordenação nacional, assim que soube do fato, através de uma nota de um jornal no mesmo dia do evento (12/6), emitiu um ofício, solicitando que o vereador retirasse a concessão da honraria. Segundo o Coordenador Estadual do PPS Diversidade, Bruno Couto, “O PPS não tem muito espaço para esse tipo de conversa com gente que defende a ditadura, que defende a misoginia, que faz ataque das minorias, isso não tem nada a ver com a tradição e as posições históricas do partido, que é sempre de defesa da liberdade, em defesa dos direitos fundamentais. Todas as alianças que são feitas pelos diretórios do partido, passam pelo diretório nacional, que não admitem alianças com Bolsonaro, porque não tem a ver com o próprio histórico do partido.” O representante estadual, acredita que o vereador será chamado pelo presidente da regional do PPS, para explicar essa situação.
Vereador Elerson
O vereador Elerson, que se anuncia como pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Popular Socialista,  assume que não comunicou ao partido anteriormente sobre a indicação do título e diz que a indicação não foi feita por questões políticas, mas sim por amizade ao presidente do diretório municipal do PSL de Queimados, Robson de Souza. Para Elerson, a homenagem estaria ajudando o amigo a criar um fato na cidade para a vinda do deputado Flávio Bolsonaro. Alega ainda que a titulação foi dada por entender que o homenageado tem atuação exemplar na vida pública, pois em nenhum momento o deputado foi envolvido em escândalo de corrupção. Porém, na hora de publicar, acredita  ter ocorrido um processo de recorte e cole, onde o texto não foi ajustado, conforme sua vontade. A Lei Orgânica do Município, em seu artigo 40, inciso 21, permite: outorgar títulos ou conferir homenagens a pessoas e a entidades que, reconhecidamente, tenham prestado relevantes serviços ao Município ou nele se tenham destacado pela atuação exemplar na vida pública e particular, mediante o voto de dois terços de seus membros.
Flávio Bolsonaro (esquerda) e Robson de Souza (direita)
Em relato ao Portal, o presidente municipal do diretório do PSL, declara que procurou o vereador, como amigo de muitos anos, para conversar sobre a possibilidade de homenagem à Flávio Bolsonaro. Segundo Robson, o amigo concedeu o título de maneira espontânea por entender que o PPS é democrático e que não teria o empecilho de honrar um deputado que representa o Estado do Rio de Janeiro. Ressalta ainda, que não entende o feito como fato político, apenas uma questão de honraria.
Em relação à manifestação realizada durante a solenidade, o presidente do PSL diz acreditar que a força do movimento realizado foi de cunho pessoal e não político. Afirmou que o protesto não foi pacífico e nem democrático, que a casa de lei não foi respeitada e que foi um ato desordeiro. Apesar de tudo, alega que o PSL está satisfeito com a vinda do deputado na cidade, que Flávio gostou muito da recepção e ficou feliz com a homenagem, mesmo tendo a participação dos manifestantes, fato que já faz parte do dia-a-dia da família Bolsonaro.
A satisfação foi declarada também pelo vereador Elerson, que revelou ter admiração pelo trabalho do homenageado, chegando a mencionar que se o partido não tivesse Ivanir dos Santos como pré candidato ao senado, possivelmente o candidato do PSL teria o seu apoio.
Em conversa com o Portal, o presidente do diretório municipal do PPS, Jorge Nascimento,  informou que o partido não tinha conhecimento da intenção do vereador em conceder o título ao deputado Flávio Bolsonaro, apenas souberam depois de ter sido aprovado por unanimidade pela Câmara, faltando uma semana para a solenidade.  Porém, acredita que “Elerson, na melhor da intenção, talvez tenha cometido um erro ideológico, pragmático do partido. Só que o erro não pode ter um peso maior do que tudo o que ele já construiu ao longo de seus anos como militante.” Para o presidente do PPS, “o erro tomou uma proporção muito grande e tem certeza de que a executiva do partido no Rio de Janeiro, que é mais democrática e mais flexível, irá entender a intenção do vereador Elerson”. Acredita que o partido não levará a situação para o comitê de ética e diz entender que cabe ao vereador, no máximo, uma advertência ou uma notificação.
E as polêmicas em torno do vereador não param por aí. Elerson assumiu recentemente apoio ao pré candidato ao governo do Estado, Anthony Garotinho. Segundo ele, o PPS não lançará candidato a Governador. Essa informação não está em acordo com o que nos relata o presidente do diretório municipal do partido. Jorge Nascimento declara que o Rubem César, presidente do Viva Rio, será o candidato ao governo. Quando perguntamos sobre a posição do vereador, o presidente do partido diz que apenas um segmento que acompanha o vereador apoiará Garotinho.
Outra controvérsia entre o vereador e o partido, é a informação dada pelo edil ao Portal de que não está mais apoiando o atual governo do município e que todos os cargos que estavam ligados ao seu mandato foram colocados à disposição, pois não concorda com a forma como as coisas acontecem dentro desta gestão. Diz ainda que seu mandato vai cobrar mais transparência e efetividade do executivo e mais respeito ao dinheiro público.
No entanto, o presidente do diretório municipal do PPS em Queimados, informa que o partido ainda está com o governo, apesar de algumas insatisfações políticas. Segundo Jorge Nascimento “o representante do partido na câmara tem tido uma postura mais combativa dentro do mandato, não sendo postura pura e simplesmente de oposição, pois aquilo que está errado, ainda que seja governo, precisa ser apresentado”. Acredita que isso faça parte da parceria. Diz ainda que Elerson tem sido mais contundente nessa situação e que está chegando o momento em que partido e o vereador vão ter que chegar a uma posição única.



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