O Centro de Treinamento e Escolinha de Natação ‘Golfinhos da Baixada’ promoveu, no mês passado, uma pré-conferência com o tema ‘Não nos orgulhamos em ser a cidade mais violenta da Baixada’,  pontapé inicial para a IX Conferência Municipal da Criança e do Adolescente de Queimados, que acontecerá no decorrer deste ano.

A Conferência promoveu palestras e debates pautados nos dados divulgados pelo IPEA, no Atlas da Violência 2018, que apontava Queimados como o município mais violento do Brasil e contou com a presença de representantes de grupos que promovem movimentos de impacto social, como o Fórum Grita Baixada, a Associação dos Amigos do Bairro Paraíso (AMPARA), o coletivo político “Levante” e o Parque Ipanema F.C., que hoje atua em parceria com o projeto Pérolas Negras, da ONG Viva Rio.

O palestrante principal, Leonardo de Oliveira, abriu o encontro com o tema “Redução da maior idade penal no Brasil”, apontando os aspectos negativos que tal proposta, caso fosse aceita, causaria na população, sobre tudo a negra. Além disso, em sua palestra, Leonardo também salientou a importância do desenvolvimento de medidas de combate à violência, destacando a educação como ferramenta fundamental de transformação.

Logo após a palestra, os espectadores foram instigados à reflexão crítica, por meio de rodas de debates com temas variados, como ‘Diversidade na representação política’, para o qual foi apresentado um mapa com o perfil dos candidatos eleitos no Brasil e também na cidade de Queimados; ‘Proteção integral da criança e do adolescente‘, onde foram discutidos o papel da população no asseguramento dos direitos básicos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); e ‘Políticas públicas para a polução carcerária’, apresentando dados de outros países que obtiveram sucesso no sistema de ressocialização.

Para os idealizadores, “O motivo central desta pré-conferência foi conversar com a polução sobre o tema “violência” e pensar em medidas eficientes de combate a ela. E também de alertar que a violência é um problema de todos e que afeta a todos. E que a ideia de que a violência deve ser combatida com mais violência é uma ideia falsa e perigosa”, ao que acrescentam em um trecho do Manifesto escrito por Andrey Viana, Ana Clara Bispo e Graziella Martiliano, também engajados no evento.  

Diz o manifesto: “Tenho medo de sair na rua e talvez não voltar. Antigamente a gente brincava nela até o tarde da noite. Hoje , nem de dia isso é possível. O lazer foi substituído pela violência e a única pergunta que faço é ‘até quando vai durar o nosso castigo?’ Até quando teremos que conviver com tiroteios, pessoas mortas injustamente e o vento constante de pavor? Até quando vou ter que abaixar no meio da sala de aula pra não morrer? Nosso município pede socorro. Precisamos tomar uma providência, podemos mudar tudo isso juntos. É preciso se manifestar contra essa barbárie.”

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